O sr. Américo Tomás mandou recado à secretaria «azul»: tenho pena mas não posso continuar a pagar as quotas

«Inesperadamente impedido de se deslocar ao seu ex-estádio, para presenciar os jogos do seu ex-clube, o ex-presidente da República sr. Américo Tomás mandou recado à secretaria «azul»: tinha muita pena mas não poderia continuar a pagar as quotas de sócio. Baixa sensível na claque de Belém: a partir de agora, na bancada reservada aos sócios vibrantes, não mais se ouvirá a voz altiva e serena, incitando os onze rapazes da camisola da Cruz de Cristo, nos célebres 15 minutos finais.
A partir de agora, fica mais pobre o clube que sempre contou com a ajuda desinteressada, que no seu tempo viveu momentos de desafogo financeiro porque durante os anos em que ele e a mulher foram ao Restelo, o clube nunca soube o que eram dificuldades de monta.
Agora, «desarriscado» de sócio, Thomaz chora em terras brasileiras a impossibilidade de voltar a ver a menina dos seu olhos, o clube da sua eleição.
Tanto, que a sua vida, a vida da nação que dirigia, estava toda pintada de azul: esse mesmo azul da camisola do seu clube, o clube que ele agora renegou por não poder pagar as quotas.
Não me lembro da sua primeira vista ao estádio que teve o seu nome; nem da primeira vez que lá foi com sua mulher. Mas, imagino a festa que terá sido, principalmente quando ele chegou e botou fala: era a primeira vez depois da última  e ele  e sua mulher estavam satisfeitos com a recepção que lhes tinham oferecido; eles os dois e mais os netos, que gostavam muito de ter uma bola de futebol a sério, que foi quando os dirigentes obrigados resolveram retribuir «tantas atenções» recebidas oferecendo a tal bola de couro aos meninos predilectos do ex-presidente.
Que ele gostava muito das crianças e pedia sempre alguma coisa para eles: que nesta terra as crianças nunca foram esquecidas e o clube até tem agora um polivalente onde elas podem saltar e correr à vontade. «Thomaz» desistiu de sócio: mandou recado à secretaria dizendo que não pode pagar mais as quotas: fica mais pobre o clube que muito lhe ficou a dever. Mas, o que mais falta vai fazer ao clube não são os 60 escudos mensais da quotização: o que mais falta vai fazer na carreira dos «azuis» é o seu grito altivo e esclarecedor na célebre e tradicional arrancada dos 15 minutos finais...» Orlando Dias Agudo, 4/4/1975

Ex-presidente do País, e do Belenenses, expulso de sócio do Clube por não ter pago as quotas desde Abril de 1974


"Expulso: do quadro associativo do Clube de Futebol Os Belenenses, um dos mais importantes de Portugal, o ex-presidente Américo de Deus Rodrigues Thomaz, de 80 anos; por não ter pago as suas mensalidades desde o golpe que o derrubou do poder, em abril de 1974; dia 3."

Página 76, da edição de 16 de Abril de 1975 da revista brasileira "VEJA", cuja capa pode ver abaixo. 📘 post publicado originalmente em 27/07/2009.

Uno de los "cuatro grandes" portugueses, el Belenenses, no dara cuartel al Barcelona


EL «ESTILO BELENENSES»
Futbolísticamente, que es la faceta que interesa a los seguidores barcelonistas, el Belenenses tuvo la pasada temporada una actuación llena de regularidad y buen juego.
Después de unos comienzos francamente prometedores, que hacían albergar las máximas esperanzas cara a revivir jornadas gloriosas, los «azules» atravesaron un ligero bache, que, sin embargo, suoperaron para terminar fuertes, en un meritorio tercer lugar, tras el BenÍica y el Boavista pero por delante del Oporto y del Sporting.

¿Tiene el Belenenses un estilo propio o una característica que distinga su juego? Sí, o casi.
Porque este veterano del fútbol portugués, sólo en períodos tan cortos como excepcionales ha olvidado el "estilo Belenenses" que existe.
Es una manera de jugar al fútbol, marcada siempre por la escuela sudamericana, que alcanzó expresión cimera en los tiempos en que preparaba al equipo el argentino Alejandro Scoppeli.
Este técnico, bien conocido de los españoles, fue en su juventud jugador muy influyente del Belenenses.

Concepción artística del fútbol y al mismo tiempo, un entusiasmo lleno de virilidad son, hoy en día, las líneas maestras del fútbol del Belenenses, que tiene su poderío principal en la defensa, comandada por un negro de gran capacidad, el internacional Freitas.
Este jugador estaba, en principio, transferido al Oporto para la próxima jornada, pero surgieron dificultades y lo más probable es que se quede con los de Belem.
Perdido el concurso de Quinito, que fue traspasado al Santander, donde jugó la pasada campaña, el equipo conserva un buen trío de centrocampistas, con Pincho, Vasques y Pietra.
En el ataque, se destaca, a gran distancia, el paraguayo González, un luchador típico y uno de los mejores «hombres-gol» del fútbol portugués.
Merecen referencia, asimismo, el guardameta Melo y los defensas Quaresma y Sambinha.

In "El Mundo Deportivo" de 25/07/1976 - post originalmente publicado em 05/01/2010 

Amália Rodrigues, na grande festa de 2ª-feira no Império para o Estádio de "Os Belenenses"

Amália Rodrigues, Violette Quenolle, Manuel Lereno, Armando Guerreiro e a orquestra da Emissora Nacional dirigida por Tavares Belo na grande festa de 2ª-feira (7 de Junho) para o Estádio de "Os Belenenses".
1ª página da edição do dia 2 de Junho de 1954 do jornal semanário do clube. 
📘 post publicado originalmente em 2/12/2009 

O lápis de Pargana comenta...

«Agora não há "detergente" que o..."limpe" !..»
Charge sobre jogo Belenenses, 2 - Benfica, 2 da 19ª jornada do campeonato da época de 1961/62.

Indiscutivelmente o Belenenses constituiu um adversário de respeito para os campeões

Fernando Peres (caído), Yaúca, Matateu e Costa Pereira
⚽Domingo, 11 de Março de 1962. Jogo no Estádio do Restelo, a contar para 19ª jornada, com boa assistência e arbitragem de Joaquim Campos, de Lisboa.
⛹Belenenses - José Pereira; Rosendo e Castro; Cordeiro, Paz e Vicente; Yaúca, Abdul e Vítor Silva; Matateu e Fernando Peres. Treinador: Bernardo Soares.
⛹Benfica - Costa Pereira; Mário João e Ângelo; Cavém, Germano e Cruz; José Augusto e Mário Coluna, José Águas; Eusébio e Simões. Treinador: Bella Guttmann.
⚽Marcadores: 0-1, aos 20' por José Augusto; 1-1, aos 49' por Yaúca; 1-2, aos 71' por José Águas; 2-2, aos 80' por Yaúca. Resultado final: Belenenses, 2 - Benfica, 2.
⛹José Augusto, Vicente e Yaúca um trio em evidência no Restelo. Uma referência para Vítor Silva e outra para Peres. Ambos têm estofo para ir longe. Para recordar: o primeiro (3') remate no Restelo. A bola chutada por Yaúca estrondeou na barra transversal. Costa Pereira estava batido.

Paixão azul em todas as horas

Em 1º ou 18º da classificação, na 1ª ou 2ª divisão, FA sempre com o Belenenses no Coração

Foto de Guilherme Venâncio publicada na edição do jornal "A BOLA" de 7 de Abril de 1998. Post publicado originalmente em 11/02/2009.

Belenenses, inicia a época de 2017/18 em 4º lugar no campeonato dos campeonatos

Tabela com o histórico dos dez clubes de futebol com melhor desempenho nos Campeonatos nacionais/Liga(s), disputados entre 1934/35 e 2016/2017.
Critério para o ordenamento, e desempate: 1º) pontos, 2º) presenças, 3º) vitórias. A partir da época de 1995/96, a vitória, passou a valer 3 pontos.

No encontro mais importante da jornada, o Porto venceu o Belenenses, mas demorou muito a chegar à vantagem

Júlio, Dinis, João Cardoso (5), Cubillas, Gomes, Freitas, Isidro e Alfredo

⚽Estádio das Antas, Porto, 21/09/1975. 3ª jornada do campeonato nacional. Constituição das equipas:
⛹Belenenses - Melo; Sambinha, Quaresma, Freitas e João Cardoso; Isidro (Pincho, aos 79'), Godinho, Leitão (Vasques, aos 64') e Artur Jorge; Alfredo Muianga e Gonzalez. Treinador: Peres Bandeira.
⛹F.C. do Porto - Tibi; Gabriel, Simões, Adelino Teixeira (Rodolfo, aos 54') e Alfredo Murça; Octávio, Teófilo Cubillas e António Oliveira; Júlio (Séninho, aos 54'), Fernando Gomes e Dinis. Treinador: Branko Stankovic.
⚽Marcadores: Séninho, aos 63 e 69'; António Oliveira, aos 77' e Gonzalez, aos 87'. Resultado final: F.C. do Porto, 3 - Belenenses, 1

O Belenenses foi às Antas fazer uma exibição magistral e com o maior desplante golear severamente o F.C. do Porto

Teófilo Cubillas, Gomes e Quaresma

⚽Estádio das Antas, 26/01/1975. Campeonato nacional, 19ª jornada. Assim, alinharam os dois «onzes»:
⛹Belenenses - Melo; Sambinha, Quaresma, Freitas e João Cardoso; Pietra, Pincho, Isidro e Quinito; Alfredo Muianga e Gonzalez. Pereira, substituiu Freitas aos 79' e René substituiu Isidro aos 83'. Treinador: Peres Bandeira.
⛹F.C. do Porto: Tibi; Murça, Simões, Alexandre Alhinho e Rodolfo; Rolando, Fernando Peres e Ailton (Júlio), aos 33'); Cubillas, Gomes e Lemos. Treinador: Aimoré Moreira.
⚽ Marcadores: Alfredo (4'), Pincho (24'), Pietra (40') e Alhinho, na própria baliza, aos 65'. Resultado final: F.C. do Porto, 0 - Belenenses, 4.
📰«A lógica (se nestas coisas da bola, a lógica, merece algum crédito) saiu defraudada. diremos mesmo: ofendida. Não passaria pela cabeça de muita gente que o Belenenses, ainda no passado domingo batido em casa (1-3) pelo «lanterna vermelha» (Académico de Coimbra) e que durante a semana se viu em sérias dificuldades para aprontar a sua equipa para esta viagem ao Porto (chegaram a anunciar-se dez lesionados, passe o exagero), chegaria às Antas e com o maior desplante (mas também com uma exibição surpreendentemente magistral) aplicaria tão severa e insólita punição (4-0), um «score» de pasmar a um «dialoguista» como o F.C. do Porto, esta temporada o mais sério candidato à conquista do titulo. É difícil perceber o que aconteceu nas Antas: quanto à desastrada exibição portista, como à «lição» de futebol que toda a critica diz ter sido ali demonstrada pelos pupilos de Peres Bandeira, um conjunto praticamente sem «estrelas». Talvez seja difícil explicar, por mais se rebusquem argumentos. Afinal, o que ali aconteceu foi simplesmente futebol...» 

José Cardoso dos Santos

Nasceu na Ajuda, Lisboa, a 9/10/1943
Foi jogador do Belenenses durante quinze anos:
Nas categorias de formação de 1954/55 até 1962/63 e sénior de 1963/64 a 1969/70 

Adelino Luís Augusto Ferreira

Malange (Angola), 18 de Fevereiro de 1936
Adelino, representou o Belenenses durante 8 épocas 
1957/58 e 1958/59 e de 1962/63 a 1968/69

Salvador Jorge

Salvador, nascido em Alhos Vedros, foi
guarda-redes do Belenenses de 1939/40 a 1943/44
Vencedor da Taça de Portugal de 1942 e Campeão de Lisboa de 1943/44

O Belenenses, num desafio equilibrado, venceu o Benfica por 2-1, para o Campeonato das Ligas

José Simões apresta-se para interferir no remate do benfiquista Vítor Silva

Domingo, 24/02/1935. Jogo nas Salésias, eis as linhas:
⛹Belenenses - José Reis; José Simões e João Belo; Rodrigues Alves, Jaime Viegas e César de Matos; Luiz Fernandes, Silva Marques, José Luiz II, Bernardo Soares e José Luiz.
⛹Benfica - Amaro; Gatinho e Gustavo; Albino, Álvaro Pina e Gaspar Pinto; Torres, Xavier, Vítor Silva, Rogério e Valadas.
Árbitro: A. Palhinhas, do Colégio de Setúbal.
⚽Marcadores: 0-1, aos 29' por Rogério; 1-1, aos 80' por Francisco Silva Marques; 2-1, aos 88' por Bernardo Soares.

O Belenenses elimina o Benfica da «Taça de Portugal» em jogo de desempate que teve de ser prolongado

Salvador... de Belém, encaixa a bola contra o peito sob olhar atento do lateral direito José Simões e do atacante benfiquista. Nos três jogos das meias-finais da Taça de Portugal, as mãos - autenticas "tenazes" - de Salvador foram providenciais para o Belém e acabaram com as veleidades dos homens da águia ao peito.

Salésias, 1 de Junho de 1941. Meias-finais da Taça de Portugal. 1ª mão da eliminatória Benfica vence por 1-0. 
⛹Belenenses - Salvador Jorge; José Simões e Feliciano; Amaro, Gomes e Varela; Franklin, Óscar Tellechea, Gilberto, Quaresma e Rafael.
⚽Marcador: 0-1, aos 40', auto-golo de Feliciano. Da infelicidade desta jogada participou, caso curioso, toda a defesa de Belém - um mau pontapé de José Simões a reverter sobre as redes, uma saída em falso de Salvador e, por fim, o toque de Feliciano para dentro das redes.

A 8 de Junho, o Belenenses dá o troco e vence por 1-2 no Lumiar. 
⛹Belenenses - Salvador Jorge; Simões e Feliciano; Amaro, Gomes e Varela; Óscar Tellechea, Bernardo, Gilberto, Horácio Tellechea e Rafael. 
⚽Marcadores: 1-0, aos 18' por Rodrigues; 1-1, golo de Rafael aos 34; 1-2, aos 86' por Óscar Tellechea.

A 15 de Junho, realiza-se o jogo de desempate, também no Estádio do Lumiar. 2-2 no tempo regulamentar. No prolongamento o Belenenses marca o golo da vitória que o levará à final, nas Salésias, contra o Sporting.
⛹Belenenses - Salvador Jorge; Simões e Feliciano; Mariano Amaro, Francisco Gomes e Varela Marques; Gilberto, Óscar Tellechea, Horácio Tellechea, Bernardo Soares e Rafael.
⚽Marcadores: 1-0, aos 42' por Lourenço; 1-1, aos 57' por Rafael; 1-2, aos 60' por Horácio Tellechea; 2-2, aos 79' por Francisco Rodrigues; 2-3, aos 110' por Óscar Tellechea. Resultado Final: Benfica, 2 - Belenenses, 3

O Belenenses, disputaria a final da «Taça» com o Sporting no dia 22 de Junho, no Campo das Salésias. Vitória do Sporting por 4-1.

Tento imparável de Matateu não impede derrota do Belenenses nas Salésias

Salésias, 24/10/1954. 7ª jornada do campeonato. Belenenses, 1 - Benfica, 2. ⛹Apesar da tentativa, Artur Santos, não conseguiu impedir a cabeçada fulgurante de Matateu, a centro de Carlos Silva, e a bola vai entrar na baliza benfiquista, decorriam 32 minutos de jogo.
📘post publicado originalmente em 13/03/2009 

O «Grande Sorteio de 1954» e o Sarau Artístico promovido pelo C.F.«Os Belenenses» foi um estrondoso êxito popular

«O Clube de Futebol «Os Belenenses» promoveu na noite do dia 13 de Dezembro de 1954, no Pavilhão dos Desportos, um Sarau artístico, durante o qual se procedeu à extracção dos prémios referentes ao «Grande Sorteio de 1954».
O produto deste festival reverteu a favor da «Casa dos Rapazes», da fragata «D. Fernando» e da construção do novo estádio do Belenenses.
Tomaram parte deste Sarau os consagrados artistas Herminia Silva e Luís Piçarra. a cantora Cristina Maria, a cançonetista Noémia Feijó, o professor de acordeão Siegfried Sugg, o cançonetista Rodrigues Alves, o conjunto «Rapazes do Ritmo», a parelha de baile espanhol Ariel e Gracia e os manos Alexandres, além da orquestra de Tavares Belo. A locução esteve a cargo de Artur Agostinho e Artur Frazão.
Na continuação do Sarau houve um «momento de fado» com Anita Guerreiro, Mário Rocha e Julieta Brigue e com amadores dos bairros de Lisboa melhor classificados na «Grande Noite do Fado».
Os ingressos tinham preços popularíssimos e estavam à venda na secretaria e na sede do Clube, na A.B.E.P. e nas bilheteiras do Pavilhão dos Desportos»

Lista dos prémios mais relevantes: 4 automóveis Peugeot; 3 rádios-gramofone Philips; 5 frigoríficos Philips; 2 máquinas de costura Necchi; 3 máquinas de lavar roupa Philips; Fogão a gás da Fábrica Portugal; 10 máquinas fotográficas Zeiss e Agfa; Misturador eléctrico Cutmix; Máquina de barbear eléctrica Tondor; 200 ferros eléctricos Tudor e Injecta. - No total, 1.050 prémios no valor 532.500$00

José Romão Dimas


«José Romão Dimas, é natural de Almada, onde nasceu em 7 de Maio de 1930. Iniciou a sua carreira em 1946-47 no Ginásio do Sul, onde se manteve até 1950-51.
Depois passou para o Vitória de Setúbal, tendo-se transferido para o Belenenses em 1952-53*. De baixa estatura (1,62 m), Dimas compensa essa desvantagem com dinamismo invulgar.
Joga indiferentemente a interior ou extremo-direito, sendo notável, em qualquer caso, o seu sentido de jogo. Internacional 4 vezes (2 B).» * aonde se manteve até à época de 1960-61.
post publicado originalmente em 20/06/2009

Francisco de Sousa André Jorge

Francisco André, nasceu em Faro a 10/11/1932

«André é um nome desta época no nosso futebol de primeiro plano. "Os Belenenses" experimentaram-no nos primeiros desafios particulares e a experiência deu resultado, pois o jovem algarvio ganhou o lugar e tem vindo no Campeonato nacional a botar figura digna de relevo.
Veio de Faro, onde começou e onde alcançou rápida notoriedade.
Principiou, como todos, com a bola trapeira, que pontapeava desenfreadamente nos terrenos baldios da capital do Algarve.
Formavam-se grupos populares, que disputavam renhidos torneios, e André pertencia ao "Estoril e Xixo". Jogava, treinava e era também director.
Mas um dia, outro poder mais alto se levantou. O Sporting Clube Farense, um dos mais prestigiados clubes do Algarve, precisava de um avançado-centro e, ao lançar uma vista de olhos pelos clubes populares, a fama de André impressionou. Mas o rapaz tinha apenas 17 anos e, por isso, só na época seguinte pôde alinhar na primeira categoria. Não podia começar melhor.
- O Farense venceu o Elvas por 4-2 e André marcou as duas bolas que deram a vitória.
A seguir numa vitória por 3-0 sobre o Lusitano de Vila Real de Santo António, André marcou apenas as três bolas.
E, por aí fora, não tardou que o seu prestigio chegasse também à capital, para onde veio no começo deste ano lectivo para prosseguir os seus estudos.
À inteligência que André põe no jogo não podem ser estranhos os seus dotes de intelecto, pois tem o curso liceal concluído.
Fino no jogo e na figura, André sabe jogar e sabe rematar beneficiando da sua facilidade de elevação para alcançar frequentes golos de cabeça.
Não teve nos Belenenses o que se chama uma estreia auspiciosa e talvez fosse melhor assim. Quando do desafio com o Benfica para a Taça Maia Loureiro, Carlos Pinhão escreveu o seguinte:
- André sem continuidade de acção, mostrou a sua "pinta" de jogador.
Veio de Faro "à conquista da cidade" e, de repente, dá consigo no Estádio, a jogar com o Benfica, diante do Félix... todos estes nomes o devem ter perturbado e diminuído, mas bem vai o clube Belenense em persistir e em dar-lhe nova oportunidade.
Bem andou de facto o Belenenses. André continuou no eixo do ataque. Ao cabo da 1ª volta do nacional, tinha feito 11 dos 13 jogos e marcado 7 golos.
Os jogos com o Lanus e o Admira serviram-lhe de proveitosa lição e, na 2ª volta do nacional, tem vindo a convencer os últimos descrentes, jogando e marcando quase sempre - contra o Boavista, fez sozinho o resultado (3-0)*.
Ultimamente, tem-se dito que André acusa cansaço. Em entrevista concedida, o seu treinador, Fernando Vaz, diz o seguinte: Jovem como é, pois fez há pouco 19 anos, André tem acusado um pouco, como é inevitável, a dureza da prova mas, como se trata de um elemento que joga sobretudo com inteligência, desmente domingo a domingo a fadiga que se lhe atribui.
Em suma, estamos perante um jovem que chegou sem alardes mas que tem sabido conquistar o seu lugar à custa de talento e aplicação. André ainda dará muito que falar.
Findo o nacional, a média das suas exibições acredita-o como jogador de futuro.» Carlos Pinhão, 1952.
* jogo da 17ª jornada do campeonato, disputado nas Salésias no dia 27/01/1952