Perder, de vez, as estribeiras


Um dia, há muitos anos, entrei num quarto alugado de uma casa do Dafundo. O dono do quarto era solitário e triste, mas eu olhava-o com o fascínio que os homens feitos, como eu já era, só emprestam aos seus heróis da adolescência: Vicente Lucas.
O homem que Pelé considerou o melhor defesa que o marcou. No Mundial de 66, ele jogou contra a Hungria, Bulgária, Brasil e Coreia, que ganhámos, e não jogou contra a Inglaterra, que perdemos.
Em Lourenço Marques, de onde tinha vindo este negro gentil e de bigode fino, chamavam-lhe "Mandjombo", que queria dizer sortudo. Não era bem assim.
Semanas depois do regresso da glória de Inglaterra, Vicente Lucas teve um acidente e ficou cego do olho direito.
No quarto do Dafundo, enquanto ele tirava de uma cómoda a camisola que Pelé lhe dedicara e folheava as fotos com o seu irmão Matateu, eu beliscava-me para me lembrar que estava ali com Vicente. O Vicente.
Provavelmente nunca serei jornalista, a lâmina fria, o olhar seco, o servidor do público. Seguramente não sou capaz, numa entrevista com Jardel - como li ontem -, com Jardel que estrebucha para sobreviver, com Jardel que falara há pouco de Enke, de lhe perguntar: "Suicídio? Passou-lhe alguma vez pela cabeça..." 
Se o meu leitor quer saber isso, merda para o leitor.

Ferreira Fernandes in Diário de Notícias de 17/11/2009
  • Post publicado originalmente em 24/11/2009

José Pedro Ferreira Bazaliza

José Pedro, nasceu a 7 de Julho de 1919
(Falecido. Data desconhecida)
Campeão nacional da época de 1945/46. Vencedor da Taça de Portugal da época 1941/42. Representou o Belenenses de 1941/42 a 1946/47, jogando na posição de interior-esquerdo ou a ponta esquerda. Jogou 81 jogos oficiais e marcou 42 golos. Desses, 13 jogos e 6 golos, foram na época em que o clube foi campeão nacional. Foi Director do departamento de futebol, no mandato do Major Baptista da Silva, tendo o clube sido vice-campeão nacional. Acácio Rosa, costumava chamar-lhe o «segundo Scopelli»

Isidro Miguel Palmela da Silva Beato

Setúbal, 19/02/1956
Isidro, foi jogador do Belenenses em 1972/73 e 1973/74
nas categorias juvenis, e sénior nas épocas de 1974/75 a 1980/81 

Carlos Alberto Rodrigues Lima

Barreiro, 20/07/1957
Lima, foi jogador do Belenenses nas categorias juvenis
de 1972/73 a 1974/75 e sénior de 1975/76 a 1981/82

Belenenses, em 4º lugar no campeonato dos campeonatos

Tabela com o histórico dos dez clubes de futebol com melhor desempenho nos Campeonatos nacionais/Liga(s), disputados entre 1934/35 e 2015/2016
Critério para o ordenamento, e desempate: 1º) pontos, 2º) presenças, 3º) vitórias. A partir da época de 1995/96, a vitória, passou a valer 3 pontos

O Belenenses recebeu 335 contos pela transferência de Pedroto, um “record” para a época

E porquê? Pedroto explicava assim como as coisas se passaram: “- Eu estava satisfeito no Belenenses e, financeiramente, a minha situação não era nada má, pois o emprego que tinha na Hidro-Eléctrica do Zêzere era bem remunerada. Portanto, quando fui abordado por emissários do F.C.P., fixei a verba astronómica de 150 contos para mim, convencido que não seria aceite tal pedido. Ás contra-propostas que, depois, recebi – não tirei nem um tostão. Despedi-me do emprego e do Belenenses com aquela quantia em meu poder. As “dêmarches” arrastaram-se por longo tempo, pois, por sua vez, o Clube de Belém exigia para si 500 contos. Mas, no fim tudo se arranjou, recebendo o Belenenses 335 contos. Quer dizer, a cifra total que o F.C. do Porto despendeu nessa altura (cerca de 500 contos), constitui para a época uma transferência “record”.”

Severo Tiago, campeão nacional de atletismo e de futebol, cromo 102 da colecção «Caramelo Sport» da «Triunfadora»

Severo Tiago, nasceu em Sacavém em 10 de Fevereiro de 1903
  • Representou os Belenenses em futebol e atletismo de 1921/22 a 1933/34 e o Paço D'Arcos em 1937/38
  • Estreou-se na equipa de honra no dia 1 de Dezembro de 1923, em jogo contra o Boavista, com uma goleada de 8-1. Alinharam: Mário Duarte; Azevedo e Júlio Morais; César de Matos, Augusto Silva e Alfredo Anacleto; Fernando António, José Pires, Severo Tiago, Joaquim Rio e Alberto Rio.
  • Foi campeão de Portugal de futebol (26/27 e 32/33) e de Lisboa em 25/26, 28/29, 29/30 (1ª categoria) 22/23, 31/32 e 32/33 (2ª categoria)
  • Em atletismo, foi Campeão Nacional e Regional dos 100 m, 200 m, estafeta 4x100 m e salto em comprimento, em 1926, 1927, 1928, 1929 e 1930
  • Internacionalizações: No futebol; 1 vez internacional contra a Hungria (3-3) em 26 de Dezembro de 1926, marcou um golo. No atletismo; 1 vez contra Espanha, em 1927, 1º lugar na estafeta 4x100 m. e 2º nos 200 metros
  • Foi o 1º atleta a conquistar um título Nacional de atletismo para o Clube: no salto em comprimento, 6,05 metros, em 1927
  • Foi igualmente o 1º internacional de atletismo do Belenenses, em 1927, num Portugal-Espanha.
  • Sócio de Mérito do Clube de Futebol "Os Belenenses"

Um certo Pepe em tudo o que é Largo da Paz

Baptista-Bastos, «A Bola», Novembro de 1993 
“(…) Certa ocasião, discreteando com Eusébio, o Grande, sobre nomes, mitos e fábulas, perguntei-lhe quem fora o maior entre os maiores. E ele: - O Pepe. Nunca o vi, nunca o conheci. Quando ele morreu talvez nem eu fosse nascido. Mas foi o Pepe. Disseram-me isso, lá, em Moçambique, num largo que havia, no Caniço, e que se chamava o Largo da Paz.”

João Marques de Jesus Lopes «Djão»

Tete (MZ), 16/08/1958
Jogador do Belenenses de 1979/80 a 1986/87
Campeão Nacional da 2ª divisão 1983/84
Finalista da Taça de Portugal 1985/86
Internacional "A"

Eliseu Pereira dos Santos

Angra do Heroísmo, 01/10/1983 
Jogador do Belenenses nas épocas 2001/02 (júnior) 
e sénior nas épocas de 2002/03 a 2004/05 e 2006/07 
Campeão «UEFA Euro2016»

José Maria Pedroto, 22º jogador Internacional “A” do Clube de Futebol “Os Belenenses”

Uma Internacionalização enquanto jogador do Belenenses. Total de Internacionalizações: 17. Estreia a 20 de Abril de 1952, contra a Selecção da França (0-3). Posição: médio/avançado. Golos marcados: Nenhum
  • post publicado originalmente em 24/06/2008 

Artur Quaresma nasceu no Barreiro... brilhou em Belém

"(...) Despediu-se, como jogador na tarde de 5 de Outubro de 1948, num festival no campo das Salésias em que a sua equipa, o Belenenses, defrontou o Sporting, com Azevedo nas balizas e os "azues" venceram por 4-1.

Nesse dia e nesse jogo Quaresma terminou da melhor maneira a sua carreira, pois marcou dois golos nas balizas do grande Azevedo.
Recordam-se as formações das duas equipas:

Belenenses - Sério; Figueiredo e Feliciano; Rebelo, David e Serafim; Matos, Nunes, Sidónio, Quaresma e Narciso.

Sporting - Azevedo; Moreira e Manuel Marques; Canário, Serra, Coelho e Juvenal; Jesus Correia, Vasques, Peyroteo, Travaços e Albano.

O jogo foi dirigido pelo saudoso árbitro Oliveira Machado, de Lisboa - tendo havido durante o encontro várias substituições, pelo que alinharam mais os seguintes jogadores: Pinto de Almeida, Frade, Gonçalves, Caetano, e Fidalgo no Belenenses (...)"

  • Post publicado originalmente em 27/05/2009

Mariano Amaro, velha glória do Belenenses, raramente ia ao futebol

Mariano Rodrigues Amaro, Lisboa (Alfama), 7 de Agosto de 1914. Faleceu a 23 de Maio de 1987
Lugar: interior-direito e médio de ataque - sendo neste último, onde mais se evidenciou. 
Clubes: 1931/32, G.D. Adicense, 1 jogo. 1932/33 e 1934/35, Cativense F.C., 21 jogos. 1934/35 a 1947/48 C.F. "Os Belenenses", 417 jogos, sendo 389 oficiais e 38 particulares.
Títulos: 1 vez campeão nacional da 1º divisão (45/46), 1 vitória na Taça de Portugal (41/42), 2 vezes campeão de Lisboa (43/44 e 45/46), 4 vitórias na Taça Sá de Oliveira (35/36, 36/37, 39/40 e 40/41), 1 vitória na Taça Raul de Figueiredo (45/46), e 2 vitórias na Taça Eng.º. Ávila de Melo (46/47 e 47/48). 
Internacionalizações: 19. Estreia em 28/11/1937. Espanha 6, Hungria, Alemanha, Suiça 4, Irlanda 2, Inglaterra e França 4. Último jogo em 23/11/1947.
Selecção de Lisboa: 12 jogos. 11 contra o Porto e 1 contra Aveiro. 
Carreira de treinador: "O Elvas", Oriental, Caldas, Torreense, Vitória de Guimarães (5º lugar) e Negaje (África)
  • post publicado originalmente em 19/03/2009 

Borislav Mihaylov e Anio Sadkov


  • Borislav Mihaylov, representou o Belenenses nas épocas 1989/90 e 1990/91
  • Anio Sadkov, representou o Belenenses nas épocas 1989/90, 1990/91 e 1991/92

Carlos Manuel Pereira Pinto «Adão»

Chaves, 03/04/1960
Jogador do Belenenses nas épocas de 1988/89 e 1989/90
Vencedor da Taça de Portugal de 1989
52º jogador Internacional “A” do Clube de Futebol “Os Belenenses”

Diamantino Pereira da Silva

Jogador do Belenenses nas épocas de 1952/53 a 1954/55
Diamantino, é o 26º jogador Internacional "A" do C.F. "Os Belenenses". Foi uma única vez Internacional e enquanto jogador Belenenses, tendo-se estreado a 22 de Novembro de 1953, contra a Selecção da África do Sul (3-1).
«Sabe-se que Diamantino veio da Covilhã para o Belenenses, mas muita gente ignora que o rapaz é produto do futebol lisboeta.
Irmão de Daniel Silva, o antigo "Cóbecas" que jogou no Sporting e depois no Sporting de Braga, Diamantino iniciou oficialmente a sua carreira, nos juniores do Grupo Desportivo Estoril Praia. Na época seguinte, passou à reserva e chegou a efectuar alguns jogos na primeira categoria.
Veio depois o convite do Sporting Clube da Covilhã, onde Diamantino veio a distinguir-se grandemente, realizando uma série de excelentes exibições no lugar de médio direito.
Chegou a chamar as atenções dos seleccionadores e, uma vez, veio de longada até à capital para um treino, mas, como faltara um guarda-redes, puseram-no na baliza... e a grande oportunidade perdeu-se assim ingloriamente.
No começo desta época, apareceu no Belenenses, mas tardou a subir à primeira categoria, pois eram muitos concorrentes:
- Castela, Amorim, Rebelo... A doença deste último e a quebra de Amorim abriram-lhe, por fim, as portas da primeira categoria, onde tem realizado uma média muito apreciável de exibições.
De tal modo ganhou a efectividade, que, tendo Amorim voltado à melhor forma, o treinador Fernando Vaz manteve-o na equipa, repetindo a experiência inicial de colocar Castela a interior. » Carlos Pinhão

Sem sinal de ataque e sem segurança na defesa, que quer o Belenenses do campeonato ?

Toni, Alexandre Alhinho, Vítor Baptista e Luís Horta
Benfica, 2 - Belenenses, 0
Estádio da Luz, 11 de Setembro de 1977 - 2ª jornada do campeonato nacional
Belenenses: Rui Paulino; Sambinha, Luís Horta, Alexandre Alhinho e Lima; Vítor Esmoriz, Isidro e Vasques; Norton de Matos, Clésio e Artur Jorge (Amaral, aos 69')
Treinador: António Medeiros 
Benfica: Bento; Alberto, Humberto Coelho, Eurico e Pietra; Shéu, Toni e Chalana; Vítor Baptista (Mário Wilson Júnior, aos 47'), Celso (Cavungi, aos 81') e Nené
Treinador: John Mortimore 
Marcadores: Vítor Baptista de penalti aos 26' e Chalana, aos 33'  
  • O titulo deste "post" foi retirado da crónica que Neves de Sousa escreveu sobre o jogo, para o «Diário de Lisboa»

O Belenenses venceu o Newcastle 2-1 em jogo nocturno integrado nas festas dedicadas à visita da Rainha Isabel II

Estádio do Restelo, 19 de Fevereiro de 1957

Belenenses - António José; Rosendo, Raúl Figueiredo e Francisco Pires; José Maria Pellejero e Carlos Silva; Miguel Di Pace, «Matateu», Ricardo Perez, Inácio e «Tito» (Dimas)
Os golos do Belenenses foram marcados por «Tito» e Pellejero e o do Newcastle por Mitchell, os dois últimos de «penalty» 

Ó Paz...posso?!...

«Pois acontece que o nosso Vicente, mesmo sendo capitão da equipa, quando o Paz é batido ou está em dificuldade, não é capaz de entrar a uma jogada do companheiro sem dizer, naquela voz de menino mimado que todos lhe conhecemos: Ó paz... posso ?!...»

Serafim das Neves, protótipo do jogador com a têmpera de «antes quebrar que torcer»

«Serafim das Neves, representou «Os Belenenses» durante 18 anos. Desportista correcto, extremamente dedicado às cores e á causa belenenses. Elemento base das victórias do Clube em 2 campeonatos regionais, 1 Taça de Portugal e 1 Título Nacional, soube enraizar nos seus companheiros toda a gama dos seus conhecimentos de aplicação e atenção ao jogo. Serafim foi 18 vezes internacional.» Acácio Rosa
Coincidindo com abertura da época, o Belenenses organizou no dia 11 de Setembro de 1956, uma Festa de Homenagem/despedida a Serafim das Neves. Constou do programa do evento um jogo da categoria de aspirantes (Belenenses, 0 - Benfica, 1), e um jogo da categoria de Honra entre o Belenenses e o Torreense (6-4)

Augusto Silva, o digno substituto da grande figura do futebol nacional que foi Artur José Pereira

As suas passagens aos extremos são admiráveis de precisão. As suas recargas formidáveis. Numa delas, bateu em Toulouse, o «kepper» francês Cottenet, no 1º Portugal-França (2-4), realizado em 18 de Abril de 1926